Vencedores treinam o físico. Campeões treinam (também) a mente

Por Bruno Muronaga

Master Coach

 

Atletas de alto rendimento, grandes campeões mundiais em suas respectivas modalidades ou os mortais comuns, como nós, que apenas praticamos nossa corrida diária de 6km – todos devemos ter em mente o mesmo objetivo: o aumento da performance em nossa atividade, sem importar se o foco é a busca por uma medalha olímpica ou o nosso estado de bem estar mental e físico.

Aliás, a palavra-chave deste artigo talvez seja esta: “mente”. Cuidamos do nosso corpo (ou, pelo menos, nos preocupamos com ele), vestimos roupas ‘capazes’ de nos tornar mais magros (segundo a ditadura da moda atual), usamos adereços, relógios, colares, anéis, lenços, chapéus, brincos que correspondam ao nosso estado de espírito mas, ao mesmo tempo, nos esquecemos, no cotidiano, de uma lição fundamental a ser praticada: assim como o cuidado com o físico, precisamos desenvolver um trabalho mental, um pensamento em busca do foco – cuidado essencial para a busca do resultado almejado.

Algumas das maiores ‘ferramentas’ para esse “trabalho mental” podem ser conhecidas, treinadas e discutidas durante um processo de coaching – ou seja, uma metodologia de alta performance para alcance de resultados, em qualquer área, pessoal ou profissional, gerando um elevado processo de desenvolvimento humano.

O trabalho de coaching pode ser desenvolvido em todas as áreas profissionais, mas para nós especificamente, para elevar o nível de performance no esporte – em que o foco será a busca de uma estrutura mental consistente, voltada a comportamentos precisos, para alcançar os resultados desejados.

Sabe-se há tempos que a estrutura mental do ser humano corresponde por seus resultados, seja na vida pessoal ou profissional – assim como em performances esportivas. Estudos comprovaram, desde a década de 1970, as íntimas ligações dos resultados acima da média que algumas pessoas alcançavam, frente a outras. A programação mental dos que se destacavam tinha detalhes que faziam com que a mente fosse o principal alicerce e aliado nos resultados desejados.

Richard Bandler, criador da Programação Neuro-Linguística, é enfático em seus livros: “As pessoas que alcançam grandes resultados em qualquer área têm um padrão mental positivo”.

Assim, vale a questão: um trabalho mental para maximização de comportamentos, focado em resultados (como propõem as técnicas de coaching), pode elevar os níveis da performance de atletas e esportistas?

Para responder esta pergunta, fizemos uma varredura por áreas do esporte procurando alguns ícones de alta performance, na história e na atualidade, e observamos sua correlação com o trabalho mental propiciado pelas técnicas de coaching.

Em um dos esportes mais ‘mentais’ do mundo (o tênis), temos exemplos como o campeão André Agassi (líder do ranking da ATP nos anos 1990) e a norte-americana Serena Willians (também number one das quadras), que utilizaram ou utilizam coaching para maximizar seus resultados. Ambos trabalharam com o coach Tony Robbins, reconhecido como um dos top ten entre os profissionais que atuam com coaching e motivação.

Há, ainda, Novak Djokovic, de 27 anos – que atingiu o primeiro lugar do ranking da ATP em 2011 e praticamente, não saiu mais de lá – e que também é conhecido por ter um jogo tão forte dentro de quadra quanto por estruturar seu padrão mental para as competições. Estima-se que em breve Djoko bata todos os maiores recordes da história do tênis, sendo o maior da história.

Um dos maiores atletas de todos os tempos no basquete, Michael Jordan, conta que sempre, antes dos jogos mais importantes, ficava no quarto da concentração dos Chicago Bulls, desenhando e imaginando em sua mente todas as jogadas que realizaria em quadra – e que arrancariam aplausos da platéia e tornaria suas jogadas impossíveis de serem marcadas pelos adversários.

Esta é uma técnica extremamente usada nos trabalhos de coaching, a cognição. O próprio Jordan sempre falou sobre isso: “Eu sou tão abençoado, que tudo que eu imaginava, acontecia”, resumia o astro que imortalizou a camisa 23.

No Brasil, times de futebol – tem buscado no Coaching o desenvolvimento de suas equipes, bem como os atletas que buscam o Coaching para promover um equilíbrio dos fatores pessoais e profissionais, além de desenvolver competências e habilidades específicas para sua performance. Não raro de se ver, reportagens de atletas de times como São Paulo e Corinthians se beneficiando de Coaching para desenvolver suas carreiras.

Recentemente, mesmo não tendo o sucesso desejado, o lutador Vitor Belfort divulgou a importância da sua prepração mental com um coach para a disputa do título dos médios no UFC.

E como esquecer do maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos? Conta o fisioterapeuta de Ayrton Senna que um dos fatos mais marcantes de sua carreira foi presenciar Ayrton, um dia antes da corrida que resolveria o campeonato, sentado na beira da cama. O genial piloto mantinha os olhos fechados e com um prato na mão (que empunhava como se fosse o volante da sua McLaren), ‘percorreu’ todo o circuito da prova, calculou as curvas, ‘subiu’ nas zebras onde era necessário, ‘esperou’ para frear o mais que pudesse ao final de cada curva e ainda protagonizou sua própria vitória, já na reta final, ao quebrar o silêncio e comemorar, por antecipação: “Ayrton; Ayrton; Ayrton Senna do Brasil!”; chamamos isso no coaching de cognição ao estado desejado, onde a mente não diferencia o real do imaginário, criando assim um lastro neural para a mente do cenário pretendido.

Os fatos mostram que o coaching tem o poder de fazer as pessoas obter resultados incríveis – principalmente atletas de alta performance, individualmente ou coletivamente.

A musculação também pode se beneficiar, se lembramos de um ícone – nada menos que o campeão, por 13 anos consecutivos, ator de Hollywood e, depois, eleito governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. Em sua biografia, o astro conta que a mente tinha total relação com seus resultados, até mesmo nos impulsos mentais que realizava para os exercícios e o crescimento muscular. É perceptível que sua mente trabalhava a favor dos seus resultados, principalmente para que sua performance fosse cada vez maior.

Schwarzenegger é um dos atletas de resultados mais surpreendentes que já executou trabalhos com o coach Tony Robbins. Para engrandecer ainda mais nosso ranking da musculação, o brasileiro, duas vezes Mister Universe, Edson Prado diz que para alcançar qualquer resultado, você deve afirmar o mesmo para o seu subconsciente e sempre ter o foco, além disso, coloca que a questão mental/emocional é a primeira ferramenta do atleta para iniciar qualquer trabalho. Traduzindo para a linguagem do coaching: devemos realizar uma programação mental positiva, forte e estruturada, e fazermos com que ela trabalhe para nossa meta, nosso foco e nosso desejo máximo.

Para finalizar nosso ranking de sucesso, citamos agora um dos maiores bodybuilders da atualidade, o americano Kai Grenne, conhecido como “campeão da mente” retrata várias ações e comportamentos específicos da sua preparação, que estão ligados com os estados mentais positivos e sua inteligência emocional.

Em conversa com diversos atletas, identificamos que para ganhar uma competição, em qualquer modalidade, a mente deve estar tão preparada quando o físico. Muitas vezes, quando não chegamos ao resultado desejado, fica evidente que perdemos não para o adversário, mas para a nossa própria mente, ou para o que chamamos de, “eu interior”.

Um passo fundamental para você vencer é responder para si próprio: “Por quê deseja ser um campeão?” “O motivo pelo qual deseja será a maior fórmula para seu sucesso ou seu fracasso?”

O que queremos dizer é que muitos querem ser, mas poucos estão realmente decididos a fazer tudo o que é necessário para atingir o objetivo – seja em termos de dedicação, empenho e entusiasmo, tanto nos bons quanto nos maus momentos. Por isso, um trabalho de coaching é fundamental para desenvolver sua mente e transformar a visão em realidade.

Com um coach ao lado, os atletas conseguirão trabalhar com eficiência no que tange à administração dos seus comportamentos, suas emoções, fraquezas, ameaças e potencialidades – tudo junto e misturado, multiplicados uns pelos outros para atingir a alta performance.

Uma das equações básicas que usamos, mas de suma importância, é: desenvolver o potencial, aumentando as ações e os comportamentos, obtendo mais resultados vivenciais e assim, desenvolvendo novas crenças, cada vez mais potencializadoras e fortalecedoras.

Assim, amigos atletas, fica esse pensamento: poucos de nós sabemos do verdadeiro potencial que temos. Portanto, vamos desenvolver estrutura mental forte e consistente. Aliando os exercícios mentais à carga de trabalho físico, todos seremos campeões.